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OS ECOSSISTEMAS TERRESTRES RESPONDEM A VARIAÇÕES CLIMÁTICAS E TANTO PODEM CONTRIBUIR PARA O AUMENTO OU REDUÇÃO DO CO2 ATMOSFÉRICO

por Mäyjo, em 24.06.15

“Os ecossistemas terrestres respondem a variações climáticas e tanto podem contribuir para o aumento ou redução do CO2 atmosférico”

Em média, os ecossistemas terrestres retêm o carbono durante 23 anos – cerca de 15 nos trópicos ou 255 nos pólos -, mas em maiores quantidades, principalmente nos solos, do que anteriormente se pensava. Esta é uma das principais conclusões de um estudo sobre o ciclo do carbono nos ecossistemas terrestres liderado pelo investigador português Nuno Carvalhais.

A resposta do ciclo do carbono terrestre às alterações climáticas é uma das maiores incertezas que afectam as projecções destas mesas alterações. O Green Savers falou com o investigador Nuno Carvalhais para conhecer melhor o estudo e perceber a importância do ciclo do carbono.

Uma das principais conclusões do estudo é o maior período de armazenamento do carbono nos ecossistemas terrestres, tempo superior ao que anteriormente se pensava. Qual o tempo de armazenamento médio considerado antes e qual o descoberto no decorrer da investigação?

O tempo de retorno médio é o que decorre desde o momento em que um átomo de carbono é absorvido através da fotossíntese até que é libertado novamente para a atmosfera. Este tempo de retorno de carbono nos ecossistemas terrestres é superior ao dos modelos, mas antes não havia observações que nos permitissem estimar este valor à escala global. O tempo de retorno médio estimado, de 23 anos, é um indicador, ou seja, este período varia em função de outros factores climáticos e biológicos. Por exemplo, a latitudes mais elevadas a norte este tempo passa para os 255 anos, enquanto que nos trópicos um átomo de carbono é libertado a cada 15 anos. No fundo, estes 23 anos correspondem a um indicador médio, mas a questão principal reside em perceber como é que variações no clima podem influenciar estes tempos de retorno de carbono tanto na vegetação como nos solos.

Uma outra conclusão é a importância que a precipitação tem no tempo de decomposição do carbono. Que importância é esta e de que forma se materializa?

O que este estudo mostra é que, tal como esperado, os tempos de retorno são fortemente dependentes da temperatura: quanto mais quente mais rápida é a degradação da biomassa morta e da matéria orgânica. No entanto, a precipitação também se mostrou tão importante como a temperatura. Esta análise também mostra que estes tempos de retorno são mais rápidos quando a precipitação aumenta. O que é completamente plausível, pois os microorganismos que estão envolvidos nos processos de decomposição precisam de água para o seu metabolismo, por exemplo, é necessário bastante mais tempo para uma planta morta ser decomposta num deserto do que numa floresta.

A resposta do ciclo de carbono terrestre às alterações climáticas é uma das maiores incertezas que afectam as projecções destas mesmas alterações, como é referido no estudo. Qual a interligação do ciclo de carbono com as alterações climáticas para que a variação do primeiro afecte a projecção das segundas?

O dióxido de carbono é um importante gás de efeito estufa e o balanço entre a captura e libertação de carbono pelos ecossistemas terrestres é um factor relevante nos modelos climáticos. Os ecossistemas terrestres respondem a variações climáticas, e dependendo de como, tanto podem contribuir para um aumento ou redução do dióxido de carbono atmosférico. Será que as plantas terrestres e os solos vão continuar a ser reservatórios para o excesso de carbono da atmosfera no futuro? Ou será que vão libertar maiores quantidades de dióxido de carbono se a temperatura aumentar – transformando-se de sumidouros em fontes de carbono? A resposta a estas questões ainda não é clara, e dependendo do tipo de ecossistema, é espectável que não sejam as mesmas para diferentes regiões do globo.

De que forma é que as conclusões evidenciadas pelo estudo podem contribuir para a elaboração de futuros modelos climáticos globais?

Os resultados deste trabalho podem ser comparados com os dos modelos para tentar identificar onde é que se verificam as maiores diferenças, e perceber de que forma é que estes modelos podem ser melhorados. Um dos aspectos importantes a focar parece ser a influência do ciclo hidrológico nos processos de decomposição, mas pode haver outros igualmente importantes. No entanto é difícil prever como podem mudar as nossas previsões climáticas em resultado de uma maior precisão no ciclo global do carbono.

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publicado às 09:37

Manifesto de Suzuki

por Mäyjo, em 24.04.14

 

Depois do "julgamento" público de David Suzuki, no Canadá, em que foi considerado inocente, chegou a vez de aqui deixar o seu Manifesto do Carbono, em vídeo legendado e em texto (traduzido daqui).

Neste manifesto, David Suzuki acusa as corporações, o governo e os cidadãos do Canadá de crimes contra as futuras gerações.



Manifesto do Carbono de David Suzuki 

«Sou David Suzuki. Estou aqui hoje como um ancião, para além das tentações do dinheiro, fama ou poder! Não tenho uma agenda escondida, venho falar a verdade!

Os seres humanos no mundo natural são muitas vezes demasiado belos para palavras! Passei a maior parte da minha carreira a filmar as maravilhas da natureza e nosso lugar nela. E muitas vezes, as palavras faltaram-me! Aproximando-me do fim da minha vida, espanto-me com o poder, a tecnologia, a riqueza e o consumo que a humanidade adquiriu! E que transformou as nossas vidas, mas ao mesmo tempo, destruindo os sistemas de suporte da vida em que a nossa existência e bem estar dependem: o ar, a água, o solo e os alimentos, atividade fotossintética e biodiversidade.

Agora, os meus netos são a alegria da minha vida, mas eu sei como é incerto o seu futuro, e que todas as ninharias da nossa sociedade de consumo não podem compensar as maravilhosas riquezas e a generosidade da natureza! Mas não é preciso ficar comovido com a beleza do mundo para compreender que dependemos dele completamente para a nossa própria existência. A minha geração pós-guerra e os 'boomers´(geração de 60) que se seguiram viveram como reis e rainhas, numa festa, como se não houvesse amanhã, sem preocupações com o tipo de mundo que iríamos deixar para as crianças. Bem, a festa acabou! 

“Seres humanos e o mundo natural estão em rota de colisão… Se não forem controladas, muitas das nossas práticas correntes colocam em sério risco o futuro que queremos para a sociedade humana… Não restam mais do que uma ou poucas décadas antes que as hipóteses de reverter as ameaças que agora enfrentamos desapareçam, e as perspetivas para a humanidade, diminuam drasticamente… É necessária uma grande mudança na nossa administração da terra e da vida na terra, se se quer evitar um enorme sofrimento humano, a nossa casa comum neste planeta não pode ser irremediavelmente mutilado.”

Essas palavras são de um Aviso de Cientistas do Mundo à Humanidade, de novembro de 1992, há mais de duas décadas. Foi assinado por mais de 1700 cientistas seniores, de 71 países, e incluiu mais de metade de todos os vencedores de prémios Nobel.

Desde esse aviso dos cientistas, estudos científicos atrás de estudos científicos, documentaram o estado perigoso da atmosfera, dos oceanos, das florestas, da extinção de espécies, poluição tóxica, e consequências imprevistas de novas e poderosas tecnologias.

Agora, estamos à beira de um precipício, que nós próprios cavamos. Em menos de cem anos, conseguimos perder de vista a nossa dependência absoluta da natureza, e a responsabilidade de não deixar desmoronar a nossa casa. Congratulamo-nos com o crescimento, a expansão, os avanços tecnológicos e os lucros, e vivemos na ilusão de que a nossa criatividade nos permitirá manter a economia a crescer sem limite.

O Canadá anda perto da linha da frente quando se trata de crescimento e lucro no mundo. E a tirania da crença de que a economia é o que mais importa para o país transformou-nos até um ponto em que dificilmente nos conseguimos reconhecer. George Monbiot escreveu: "O Canadá, um país decente, culto e liberal, foi transformado num petro-estado delinquente." Eu acredito que isto é o que somos, um país que, apesar de tudo o que a ciência nos diz, e apesar do que as mudanças no clima nos dizem, está determinado a espremer todas as gotas de petróleo do solo, para agarrar o último dos lucros, para alimentar um vício que sabemos que está a destruir o futuro das novas gerações.

Governos e corporações (empresas multinacionais) não estão apenas a falhar-nos, eles são as forças motrizes que nos estão a levar ao limite, ignorando deliberadamente as consequências e cometendo, assim, o que só pode ser chamado de crime intergeracional. As consequências das suas ações - e inações - vão-se repercutir por gerações. A cegueira voluntária é uma ofensa condenável, assim como a negligência criminosa, mas um crime intergeracional é um conceito tão recente que ainda temos de desenvolver os mecanismos legais para agir. Aqueles a quem chamam os nossos líderes, devem ser responsabilizados. 

E esta responsabilidade deve-se estender a todos os cidadãos do Canadá. Nós falhamos às nossas crianças e ao nosso planeta, por causa do nosso medo da mudança e do nosso medo do futuro.
Eu acuso as corporações, incluindo os sectores automóvel, energia, farmacêutica, química e agrícola: de colocarem o lucro e o crescimento antes de tudo o resto, incluindo da sobrevivência e saúde da sociedade. De que o seu lobbyng corporativo está a tornar a agenda do país vergonhosa.
Eu acuso os políticos canadianos de crimes intergeracionais. As suas ações afetarão os nossos netos e os netos deles.

Eu acuso as corporações canadianas e o governo de atividades imorais, com consequências devastadoras para as nações mais pobres e vulneráveis do globo.

Eu acuso os políticos do Canadá e os seus cidadãos de cegueira voluntária, de falharem em estar informados de assuntos críticos que têm o poder de influenciar, e de falharem em agir quando estão conscientes de crises ecológicas evitáveis.

Se o meu país se recusa a me exonerar, então ele é culpado por não conseguir defender a acusação alegada, de liberdade de expressão. Se as minhas palavras forem consideradas traição, então que seja!

Com o meu Manifesto do Carbono, eu pretendo parar estes crimes

1 - Acabar com os combustíveis fósseis como a principal fonte de energia. Durante uma geração, devem ser mantidos no solo. Isso significa que a exploração e os subsídios para a indústria de combustíveis fósseis acaba agora.

2 - Salvar os maiores sumidouros de carbono da terra: a floresta boreal do Canadá e os nossos oceanos devem ser protegidos.

3 - 70% da nossa energia tem de ser de origem renovável no prazo de uma geração.

4 - Um imposto sobre o carbono de 150 dólares por tonelada, começa agora.

5 - Os cientistas do clima do Canadá devem poder partilhar as suas descobertas sem censura e sem interferência de interesses políticos e corporativos.

Ofereço-vos este manifesto - compromisso

Os seres humanos tornaram-se tão poderosos que estão a alterar as propriedades biológicas, químicas e físicas do planeta numa escala geológica. Devemos olhar para o futuro, e a ciência, em vez da política ou da economia, deve ser o nosso guia.

Eu sei que a nossa dependência dos combustíveis fósseis tem de acabar.

Eu sei que serão necessárias enormes mudanças para nós sobrevivermos como espécie, ainda mais para prosperar numa crise global convergente em torno do clima, alimentação, água, combustível e economia.

Comprometo-me a parar a epidemia de culpa à volta da crise climática e a reconhecer a minha própria responsabilidade.

A maneira como vivo a minha vida é parte do problema.

Acredito que precisamos de uma nova visão para o futuro como canadianos e como seres humanos
Eu declaro que estou pronto para implementar a mudança.

Quero ser parte da solução, não parte do problema.

Eu estou com o Manifesto do Carbono.

Este é o nosso caminho para a frente!»

Fonte: Tradução do "Suzuki´s Manifesto", Canadá, outubro de 2013

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publicado às 21:25


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